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15 easter eggs famosos do cinema, finalmente explicados

A referência escondida só funciona quando você sabe de onde ela veio. Quinze easter eggs recorrentes e a história por trás de cada um.

Arte de capa: 15 easter eggs do cinema explicados

Um easter egg bem feito tem uma regra: quem não percebe não perde nada, e quem percebe ganha alguma coisa. É por isso que os melhores exemplos são discretos a ponto de passarem despercebidos por décadas.

Reunimos quinze dos mais recorrentes no cinema e explicamos a origem de cada um — que costuma ser mais interessante do que a referência em si.

O que conta como easter egg

O termo vem dos videogames. Em 1979, o programador Warren Robinett escondeu o próprio nome em uma sala secreta de Adventure, do Atari 2600, porque a empresa se recusava a creditar desenvolvedores nas capas. Quando a Atari descobriu, decidiu manter — e chamou aquilo de "caça aos ovos de páscoa". O nome pegou e migrou para o cinema.

Isso importa porque define o espírito da coisa: um easter egg autêntico é uma assinatura escondida, não um material de divulgação. A diferença fica clara quando comparamos os exemplos abaixo com o que muitos estúdios chamam de easter egg hoje, que é geralmente apenas um anúncio disfarçado do próximo filme.

Os clássicos da animação

1. A113. Aparece como placa de carro em Toy Story, número de câmera em Procurando Nemo, código de porta em Wall-E e sala de tribunal em Os Incríveis. É o número da sala de animação do CalArts frequentada pelos fundadores da Pixar. Brad Bird também o levou para Os Simpsons e para O Gigante de Ferro.

2. O caminhão da Pizza Planet. O mesmo caminhão amarelo de Toy Story aparece em quase todos os longas da Pixar. As exceções conhecidas são Os Incríveis, em que ele não coube na estética retrô, e Valente, ambientado na Escócia medieval — embora nesse caso a equipe tenha inserido um entalhe em madeira com o formato do veículo, só para não quebrar a tradição.

3. O personagem do próximo filme. A Pixar esconde em cada filme um objeto ou personagem do longa seguinte. O melhor exemplo é a menina de Valente aparecendo em uma tapeçaria de Monstros S.A., anos antes do lançamento.

4. As referências cruzadas da Disney. Em A Bela e a Fera, a vitrine de livros mostra objetos de A Pequena Sereia. Em Hércules, um dos figurinos é a pele de Scar, de O Rei Leão. A prática vem dos anos 1980, quando a equipe de animação era pequena o suficiente para que todos trabalhassem em vários projetos ao mesmo tempo.

Easter eggs sonoros

5. O Wilhelm Scream. Um grito gravado em 1951 para Tambores Distantes, provavelmente pelo ator Sheb Wooley. Ben Burtt o encontrou em uma fita rotulada como "homem sendo mordido por jacaré" e passou a usá-lo em Star Wars. Está presente em toda a saga original, em Indiana Jones, em O Senhor dos Anéis e em centenas de outros filmes. Hoje é tão reconhecido que alguns diretores evitam usá-lo para não distrair o público.

6. O trecho de Ligações Perigosas. Sound designers frequentemente escondem trechos de filmes anteriores em rádios e televisões de fundo. Em Star Wars, os bipes de R2-D2 incluem sons produzidos pela voz do próprio Ben Burtt processada eletronicamente.

7. Os gritos dos dinossauros de Jurassic Park. O rugido do T. rex combina um filhote de elefante, um jacaré e um tigre. O som dos velociraptores se comunicando é, segundo a equipe de som, uma gravação de tartarugas acasalando. Não é bem um easter egg, mas circula como um dos segredos de produção mais citados do cinema.

Referências dentro de franquias

8. O número 1138. Aparece em praticamente todos os filmes de George Lucas. É uma referência a THX 1138, o primeiro longa dele, de 1971. Em Uma Nova Esperança, é a designação do stormtrooper cujo uniforme Luke veste.

9. As naves de Star Wars em Star Trek. A Millennium Falcon aparece como um pequeno detalhe na frota de Além da Escuridão. Diretores das duas franquias trocam esse tipo de aceno há décadas, geralmente como brincadeira sobre a rivalidade entre os fandoms.

10. A cena pós-créditos do MCU. A primeira delas, em Homem de Ferro, foi filmada de última hora e não constava no roteiro entregue ao estúdio. Samuel L. Jackson gravou a participação sem contrato assinado para o restante da franquia. A Marvel transformou o que era um easter egg em obrigação institucional — e, no processo, tirou dele a característica que o definia.

11. Stan Lee. As participações do criador em filmes da Marvel começaram em 1989, em um telefilme do Hulk. Uma teoria de fãs bastante popular, que a Marvel chegou a validar em tom de brincadeira em Guardiões da Galáxia Vol. 2, sugere que ele seria um observador dos Vigias.

12. A caneca de café de Game of Thrones. Vale como contraexemplo. Um copo descartável esquecido em cena na oitava temporada gerou mais discussão pública do que qualquer easter egg deliberado da série. Serve como lembrete de que o público repara em muito mais do que as produções imaginam.

Diretores que se citam

13. O universo compartilhado de Tarantino. Os cigarros Red Apple, a rede de fast-food Big Kahuna Burger e a linhagem de sobrenomes Vega aparecem em vários filmes do diretor. Ele já afirmou que existem dois universos em sua obra: o "real" e o "cinematográfico", que os personagens do primeiro assistem no cinema.

14. Os cameos de Hitchcock. Alfred Hitchcock aparece em quase quarenta dos próprios filmes, sempre nos primeiros minutos. Ele explicou o motivo em entrevista: se aparecesse tarde, o público ficaria procurando por ele e perderia a trama.

15. As portas de Wes Anderson. Menos citado, mas consistente: Anderson repete objetos, tipografias e até endereços entre filmes. A fonte Futura, usada em quase toda a sua filmografia, funciona como uma assinatura visual tão reconhecível quanto um cameo.

O melhor easter egg não é o mais escondido, e sim o que revela alguma coisa sobre quem fez o filme. A113 não é uma piada: é um grupo de amigos assinando o trabalho pelo resto da carreira.

Se você gosta desse tipo de detalhe, o caminho natural é comparar quadrinhos e adaptações, porque é ali que as referências ficam mais densas — e onde as decisões de roteiro aparecem com mais clareza.

Perguntas frequentes

O que significa A113 nos filmes da Pixar?

É o número da sala de aula de animação de personagens do California Institute of the Arts, onde estudaram John Lasseter, Brad Bird, Andrew Stanton e outros fundadores da Pixar. Aparece como placa, número de porta ou código em praticamente todos os filmes do estúdio.

O que é o Wilhelm Scream?

Um grito gravado em 1951 para o filme Tambores Distantes. O sound designer Ben Burtt o reencontrou nos arquivos da Warner nos anos 1970 e passou a inseri-lo em Star Wars e Indiana Jones. Virou piada interna entre profissionais de som e já apareceu em centenas de produções.

Easter egg e referência são a mesma coisa?

Não exatamente. Referência é qualquer menção reconhecível; easter egg é uma referência deliberadamente escondida, que não interfere na compreensão do filme para quem não a percebe.

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